Entre ser rico ou pobre, prefiro ser livro

Era uma vez um país gigante pela própria natureza, de seus lindos e risonhos campos cheios de flores. País de glórias no futebol, de histórias nas artes, de vitórias e farras populares.


O povo daquele país, era um povo dividido. Uma imensa parte das pessoas continuavam trabalhando, sofrendo com suas alegrias. Outra grande parte chorava centenas de milhares de mortos pelo tenebroso monstro Covideiro. E tantos outros vibravam pela conquista de mais um título no campeonato.


Povo esse que costumava ser classificado de elite (os ricos), classe média (os bons pagantes de impostos) e o restante (os pobres).


Naquele país não tinha muitos livros, mas tinha muitos, muitos, mais muitos impostos.


Até que um dia, um ministro que cuidava do tesouro nacional resolveu aumentar mais um imposto, com a desculpa que livro era coisa de elite.


Foi o instante em que esse ministro praticamente pichou a frase de um célebre escritor que disse assim: "Um país se faz com homens e livros"*.


A frase passou a ser: "Um país de faz de homens ricos com livros e os demais que trabalhem pra pagar imposto."


Notas do autor:


1) Esta breve crônica foi escrita na esteira das manifestações e postagens feitas pelas redes sociais, após divulgação da decisão do Ministro da Economia em sobretaxar o preços dos livros. Em meio a tantas alegações para justificar mais um abusivo imposto, fica a indignação de vários segmentos da sociedade, que vê nos livros o principal instrumento educacional e cultural de qualquer nação.


2) A hashtag #defendaolivro vem sendo amplamente propagada nas redeis sociais desde que foi noticiada a determinação do governo. Nada mais apropriada que a população, através de todos os meios possíveis, venha aderir a esta campanha.


3) A frase citada é de Monteiro Lobato.


4) A ilustração atribuída a este post é uma charge do cartunista Mathes Ribs.


5) Blog Fração de Tempo, que tem entre seus objetivos promover o incentivo à leitura, declara-se contra qualquer atitude ou política econômica que venha cercear, restringir, limitar o acesso ao todo tipo de literatura.






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