A vez do ano virar de vez



Tanto você quis que agora está aqui

E o que encontrou?

Aqueles mesmos velhos medos,

ou esperança de novos começos?


Ano após ano correndo sobre este chão,

molhando-se em águas turvas de um velho rio,

Como almas piscianas nadando num aquário vazio.


Você trocaria o papel de coadjuvante numa guerra

pelo papel principal numa cela?


Sem querer lhe fizeram sair da zona de conforto com mudança brusca,

Do ar quente por uma brisa fria,

Das cinzas quentes por árvores marcadas de cortes,

Trocar seus heróis mortos por fantasmas vivos.


Mas não!

Você não é uma sombra na escuridão

O tom o negro da noite lhe faz apagar

O claro do dia lhe ofusca a visão.


E você acha que você pode descrever o sorriso sob um véu,

Distinguir um campo verde de um trilho de aço,

Céus azuis de um resto de cores ralas.


Tanto quis e agora você está aqui.

Aproveite a estada, pois a passagem de ano será breve,

Tanto a nem perceber que o bastante será viver de leve.

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