Quando se alcança limites, extremos e fronteiras

Houve um tempo em que Eu não temia o desconhecido, o incerto ou mesmo o destino.


Experimentei aquele impulso natural de quem é jovem, que ignora perigos, não estremesse diante dos riscos nem se preocupa com os limites.


Este tipo de experiência não é privilégio meu, pois é normal que qualquer pessoa reconheça seu lado mais aventureiro durante a juventude. Como é normal também qualquer pessoa admita ser cuidadosa e não arriscar a pele a todo custo, seja quando jovem ou quando adulto, cuja atitude é mais comum nesta fase da vida. 


Mas o que venho abordar agora é uma experiência que merece um breve relato pessoal, sobre como em certos estágios da vida, alcançar alguns limites e extremos de várias naturezas, pode ajudar a trazer bons ensinamentos.


Interessante quando a gente se depara com situações em que não adianta muito querer e ter tudo sob controle. Há sempre aqueles fatores internos e externos que provocam a perda do controle sobre o que fazer e resolver, o que sentir e precisar, do que se arrepender e aprender.


É quando qualquer esforço para retomar o domínio das coisas e casos torna-se válido. Mas isso é possível quando se percebe e se precavê das muitas possibilidades, porque nem sempre se sabe onde, como e quando é hora de reagir.


Nestas horas, outros detalhes e eventos  costumam tomar nossa atenção, desviando nosso olhar para os reais movimentos causadores da turbulência. E acabamos por achar que nem tudo tem importância, porque de algum modo tudo se ajeita.


Em minha vida considero impactante a forma como alguns fatos ocorrem de forma limítrofe, me fazendo alcançar extremidades dos sentidos e chegar nas  fronteiras do imponderável. (What?)


Um caso ocorrido pra exemplificar: Voltando para casa, um certo dia o combustível do carro chegou na reserva justamente no trecho mais longo da rodovia em que percorria, onde não havia postos pra abastecer. Bem feito! Quem mandou deixar acontecer e não abastecer antes de pegar a estrada?


Só que entrar naquele caminho não estava no trajeto previsto. Foi devido ao horário que me faria entrar na área de rodízio (centro expandido da cidade), que se aplicaria à placa do meu carro naquele dia. Mesmo estando  dentro do roteiro normal, daquela vez meu período de trafegar tinha saído do planejado.


E continuando, com o carro já andando no cheiro da gasosa, antes de chegar num posto avistado uns vários quilômetros à frente, percorri na média dos 20KM por hora porque um engarrafamento básico existia naquele trecho, mas deu tempo e cheguei no posto de gasolina, achando que a qualquer momento o carro apagaria.


Enfim, estava prestes a abastecer e num lapso que lembrei de ver se o posto aceitava cartão de débito mas por alguma falha no sistema, não! Daí, fui conferir e... cadê dinheiro!? Raramente ando com notas nas carteira, não por descuido e sim pelo hábito de usar tanto o cartão de débito. Então encostei o carro empurrando até uma vaga livre no posto mesmo e fui a pé procurar um caixa eletrônico. Achei depois de umas centenas de metros dali mas estava inativo. Procurando outro, achei mais adiante só que aí é que fui notar que o cartão do banco tinha vencido naquele dia e ficou bloqueado para saque. Detalhe: era uma sexta-feira, já de noite e voltava de um trabalho no interior.


Paciência? Nada! Nervosismo, uma pilha!! Ligar pra alguém não adiantava mais porque além de estar nos arredores de uma cidade da região chamada Carapicuíba, o celular descarregou. O que houve depois? Não obstante, os limites ainda não haviam sido extrapolados.Faltava alcançar as extremidades dos meus sentidos, até me  fazer chegar nas fronteiras do imponderável.


Naquela noite minha Esposa estava na casa da irmã e quando tentava falar comigo pra saber a que horas Eu chegaria em casa, não conseguia porque dava caixa postal. Enquanto isso Eu nem tentei procurar um orelhão pra ligar a cobrar, porque com medo, me restou voltar ao carro, sentar, descansar e pensar.


Minutos depois, liguei o carro e com o ponteiro ainda no amarelinho indicando "tô com sede" fui saindo, lentamente até voltar pra estrada, rezando, rindo e suando... colocava na "banguela" sempre que podia e neste ritmo (acredite-se!) consegui chegar em casa. Não entendi bem como, mas a reserva foi suficiente. Motor mil é bom por isso!


Quando minha Esposa chegou em casa que contei os apuros, ela disse que tinha deixado uns 30/40 reais em dinheiro, num envelope no bolso atrás do banco do motorista, de outra vez que ela usou o carro e ia comprar algo para as cachorrinhas e tal... (Oh my God!! risos)


Resumindo a história: extrapolei os limites por confiar no senso oportuno, quando peguei a estrada na reserva; alcancei as extremidades dos sentidos, quando perambulei sem conseguir grana pra abastecer; cheguei nas fronteiras do imponderável, quando arrisquei dirigir ininterrupta e incomunicavelmente, que teria sido evitado se pudesse falar com "a patroa".


Somando a este relato, mais um detalhe:  fatos similares, onde limites extremos foram sendo transpostos outras vezes, mesmo sob minha forte auto-crítica, me  levando à reciclagem de hábitos e ajuste ponteiros. Ao menos assim, foram pelas fronteiras do imponderável que hoje me considero fortalecido ante aos obstáculos e desafios que me são apresentados.


O aprendizado? Ah, claro! Reconhecer onde estão os limites, olhar para frente e para cima, ver o que ainda não foi visto, rever até o que estava previsto, seguir o próprio instinto.

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