Projetos na vida – parte 3: Máximas e Mínimas

"Eu comprei uma solução!"   Resultado: os usuários tomaram isso como decreto e, ainda que tentando não generalizar, durante praticamente todo o levantamento e os consultores eram os que tinham de ficar depois das 18 horas, tanto pra terminar suas atividades quanto pra fazer as dos usuários. Claro que nada era tão ao extremo mas, metaforicamente falando, os usuários não se sentiam no dever de meter a mão na massa.   Extremismos à parte, parece bem lógico que sendo os usuários-chave quem iriam trabalhar com o sistema, bem como ser e formar multiplicadores ante aos usuários finais, nada mais lógico que no projeto eles teriam de acompanhar, fuçar e saber como fazer cada processo e funcionalidade no sistema. Isto de tão elementar é rapidamente adotado como procedimento em implantações de sistemas. Mas neste projeto não, tudo tinha de ser entregue funcionando.    "Eu quero só apertar um botão".   Mais uma vez parecer ser a máxima anterior, de que tudo deveria estar pronto para o usuário final. Só que aqui trata-se de alguns gerentes de departamento recebendo o sistema pra funcionar em suas áreas para efetuar as tarefas mais pesadas. Oras, que tarefa pesada num sistema consegue ser feita num simples apertar de botão, que não se conheça por baixo quais todas as implicações e diversas combinações de parâmetros necessários pra trazer resultados rápidos por mais padronizados que sejam? Mas neste projeto não, o usuário quer o sistema fazendo tudo automaticamente, já que ele "pagou milhões por esta ferramenta".    "Este é só mais um projeto nesta empresa que vai acabar como os outros".   Isto foi dito várias vezes aos quatro cantos dos prédios da empresa quando ainda só existia um módulo funcionando - o de Contabilidade - mas que as outras áreas o tinham como um substituto do sistema anterior, que também já vinha substituindo outro, só que feito em casa. O que se mostra nesta forma de pensamento é que não adianta ser um sistema caríssimo e de grandes abrangências, como o funcionário da empresa, seja leigo ou não, só acreditaria quando ele estiver sendo demitido/transferido porque seu trabalho foi substituído por uma ferramenta ou automatização de tarefas. Mais fortemente, pesa o fato de na empresa projetos vieram e foram a lugar algum, mesmo depois de muito tempo e dinheiro jogado fora. E como o sistema integrado já durava longo tempo sem mostrar caras novas, resultados novos, processos novos, o descrédito predominava.   "Este projeto é tão velho que ninguém na empresa sabe quando e como começou. Pra ser extinto basta que uma nova política apareça."   Não que isto tenha sido dito com estas palavras mas é o que ilustra a "teoria do Projetossauro".    "Vamos comemorar o 'eneário' do projeto pra renovar as energias e ideias pra depois definir como vai ser no próximo ano."   Também uma conotação indireta de como os anos passam e os projetos não trazem resultados concretos a não ser eventos isolados ou em coletivos, mas que no fundo só existem porque que ainda existe o projeto.   Enfim, ao estudar um projeto como este pode-se conseguir entender melhor as razões, erros e acertos e pode-se ajudar a definir novos rumos. Afinal, o ciclo natural das coisas diz:   Pergunta-se: sem uma metodologia bem definida, sem critérios previamente estudados, sem experiência de coordenação, com informações mal divulgadas e comunicação falha, qual destes ciclos os integrantes do projeto tendem a seguir?



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