Dia de Ação de Graças e o Black Friday

Não sou contra os modismos, até porque reconheço que seria hipocrisia de minha parte. E sei muito bem que desde os mais remotos tempos, em matéria de copiar modismos, importar costumes e nacionalizar tradições, nós brasileiros somos muito bons nisso.


Recentemente passamos pelo Halloween, que há algum tempo era simplesmente conhecimento como o "Dia das Bruxas",   data que antecede o Dia de Todos os Santos.


Lembro de ter visto posts e comentários em rede social criticando o modismo que agora é adotado no Brasil com as crianças usando fantasias de temática fantasmagórica passando na porta das casas como o slogan "Doces ou Travessuras".


Tal costume naturalmente foi importado da garotada norte-americana. Malhar o Judas já era...


Trazendo daquele dia para hoje, me recorre o quanto a mídia e o comércio em geral exploram estas datas para tornar ainda mais permanentes na mente do indivíduo comum o uso delas como verdadeiras logomarcas, afinal o termo Halloween agora tem muito mais apelo comercial do que em anos anteriores.


E o que dizer do termo "Black Friday"?


Este sim, mais do que comemorativo, tem o apelo extremamente comercial que chega a ser engraçado, já que seu significado é "Sexta-feira Negra", ver na mídia uma ou outra rede de magazine fazendo a insistente propaganda com chamativa do tipo "não perca, é nesta quarta-feira o "Black Friday" com preços arrasadores!". Fazer o quê, paciência...


Mas a título de curiosidade, a tradição da Black Friday é uma ação de vendas que se espalhou pelos Estados Unidos há muitas décadas como sendo a sexta-feira posterior ao Dia de Ação de Graças, com liquidações e preços bem atraentes para o público em geral aproveitar a abertura do período de compras até o Natal. Mais apelativo ao consumo exacerbado impossível, não!?


Pelo visto, esta mania dos norte-americanos desceu para os trópicos e por aqui deve ficar, mesmo com o uma suposta crise no mercado brasileiro por aí ou mesmo com o requinte de crueldade e dos critérios abusivos que o mercado varejista aplica sobre olhos e bolsos tupiniquins.


Isso sem falar, que já sei vai ao longe, a igualmente tradição importada de veneração ao Papai Noel, que lá na parte de cima do planeta é chamado de Santas Claus e cuja simbologia é quase incorruptível ao imaginário natalino. Ele, o bom velhinho, desde sempre com sua indumentária de gorro e macacão vermelhos com pontas brancas, aparece segurando seu robusto sacolão nas costas cheio de presentes, permanece vivo no folclore infantil e a cada final de ano desabastece os bolsos e saldos bancários paternos. Todos gostam, oras!


Faço questão de ponderar que escrevo esta analogia com certo tom de crítica, mas também o faço meramente por constatar que nos tempos atuais não temos mais como viver sem copiar/importar/aplicar tais modismos, costumes e tradições. E claro que nem tudo recai sobre aspecto consumista, pois há também o aspecto sociológico que essas comemorações nos trazem.


Mas sabe qual é minha vontade mesmo, e por isso coloquei no título?


Minha vontade é que o Brasil tomasse como uso e costume o tão especial Dia de Ação de Graças dos norte-americanos, ou seja, fazendo da última quinta-feira de novembro um dia reservado para o povo praticar a gratidão a Deus, com orações e festas, reunindo toda a família, agradecendo pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano, tendo não menos do que um peru assado sobre a mesa.

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